Śivanartanasādhanā

Śiva Nataraja Nyāsa - a prática da dança de Śiva - Tandava ou dançå celestial.

Śiva, O Bailarino Real dança e se identifica com Ele mesmo apó a derrota do Ego - Mulyalaka

A devoção através da dança
 
Nossa existência unitária é marcada por um princípio que se polariza, primeiro Śiva como consciência e segundo, Śaktī como energia.

Ambos são interdependentes e um não existe sem a presença do outro. Esse grupo de técnica está proposto para percebermos claramente essa unidade de maneira tranquila e natural não requisitando nenhuma atividade especial exceto o reconhecimento que ŚivaŚaktī sou eu em qualquer plano e condição do universo. O praticante é um mero observador no teatro, o espirito é o guia e a alma a referencia maior de nossa transcendência rumando para a espiritualidade a passos eternos.
 
Sua dança é ŚivaŚaktīnāra e no palco do teatro onde acontecem as ilusões da vida deixamos de ter infortúnios, já que somos nós que criamos a ilusão e nós mesmos é que ficamos iludidos.

O que falta para sanar a mente é descobrir que as ilusões só existem para alimentar o corpo e é por isso que o ego vive nele, porem enquanto dançamos deixamos que Śiva baile sobre ele para que a ignorância sobre nossa própria realidade interior venha na forma da sabedoria. Essa sabedoria universal está na mente e qualquer pessoa que atinja esse instante santo pode ver-se claramente e é quando nasce a visão que converte todos os sentidos em veículos de expressão do próprio Espirito. Antes era o ego que olhava através dos sentidos e por isso convertia a obra de Deus (o Universo) num cenário triste com tragédias e desolo, agora é Ele mesmo dançando e apreciando sua obra magnânima e é quando triunfa a felicidade. Durante a dança não sentimos o corpo mas vemos claramente que é Śiva dançando, por isso os movimentos parecem involuntários.
 
Quando reconhecemos que a influência acatada pelos sentidos é ŚivaŚaktī.
 
Nasce ou revela-se nesse momento, que já não temos um corpo e reconhecemos que esse corpo é obra do nosso ego, é por assim dizer a maior ilusão criada dentro da unidade. O sujeito (Nāra) que é parte da unidade absoluta deixa de ser a aparte dela e portanto naquele instante se dissolve por isso que o efeito da dança é meditação pura. Claro está, que para que haja essa resolução há que se apropriar da verdade derrubando todos os véus da ilusão. Há que escolher entre a Verdade e a ilusão, as duas não caminham juntas e o resultado é a incosistencia na vida. Corpo doente e mente insana.
 
Deitado ele cessa sua atividade física e mental e relaxa profundamente gozando da liberdade.
 
Durante a pausa do enstasis deitamo-nos e entramos numa yoganidrā perfeita onde nenhum campo astral existe, nenhuma situação energética nos aprisiona, nenhuma racionalidade surge para que tenhamos ciência do ato de pensar, somente vemos e concebemos a vida dentro da mente universal e o céu é explorado por nós, pois agora a guiança é do nosso Puruśa e é Ele quem pensa.
 
Aceitando seus estados pensantes, sem importar o que possam significar ele medita.
 
Não é só o pensamento que já não é nosso mas também a vontade, por isso que os movimentos do corpo deixam de ser ilusões de interesse pessoal e passam a pertencer a força universal outra vez pintando um cenário de pura luz e amor sem especialismos. Entrar nesse estado parece muito difícil a primeira pensada, mas digo-vos, basta entregar-se a dança e vencer todos os limites impostos pelo ego e pronto, num instante tudo se torna claro.
 
Amando as pessoas sem requerer um caráter diferente sua natureza é devocional.
 
Todos nós somos da mesma fonte, não existe pessoas especiais nem necessidade de honrá-las. Todos são células da mesma Unidade Universal a que chamamos Śiva ou Deus. Difícil pode parecer deixar de reconhecer que: familiares, parceiro conjugal, filhos, amigos sejam pessoas especial e nivelar todos com o mesmo amor e sem nenhum grau de interesse. A dança traz esse propósito e tinha de ser ela, pois para nós seres humanos instruído por um ego isolador, competidor, escasso, pequeno e averso a verdade, seria muito difícil chegar a isso sem um impulsionador da natureza de tandava nartana – a dança celestial.
 
Aquele que percebeu unidade em ŚivaŚaktī nada mais terá que colher como nāra.
 
Assim concluímos, pois cessa a individualidade já que Śiva venceu o ego e consequentemente a Śakti e agora Ela é o palco onde Ele originalmente se expressa e nenhum conflito por existir. Encerramos a loucura de fazer diferença naquilo que não pode ser diferenciado.
 
Deus respira tranquilo em sua casa.

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