Tattva do funcionamento mental 14 - 16



Chegamos agora mais perto de nós mesmos tal como nos conhecemos aparentemente. Para contribuir com a parca percepção que temos de nós e da realidade do universo, o homem ganha seus corpos e algumas faculdades internas que colaboram para elucidar ou confundir o teatro de māyā. O mais curioso é que o que vem a seguir é produto da própria māyā que cria o corpo psíquico composto pela buddhi, ahamkāra e manas. Cada um que vai surgindo é criado pela necessidade de auto projetar-se, ou seja, se assume o aspecto do conhecedor atribuído ao Puruşa. Assim a Prakrti cria a buddhi. Ela a sua vez cria o ahamkāra e a mente, que também cria os outros Tattva. Esse conjunto psíquico é conhecido como antarkarana.

1.	Buddhitattva 

Representa a inteligência que tudo verifica. Revela os objetos por via interna a partir das impressões (samskāra) gravadas na mente e por via externa através dos olhos.

2.	Ahamkāratattva

O ego tem a arrogância de afirmar-se como sendo a Consciência e é o grande causador dos tormentos mentais. Ele nos faz pensar que somos somente um indivíduo aprisionado nas barreiras físicas de nosso corpo. A maioria dos seres humanos acredita nesta brincadeira e desconhece a existência do próprio ego como princípio velador da percepção real. Assim ele se projeta assumindo o papel de Śiva. É necessário conhecê-lo bem para reeducá-lo e colocá-lo em seu devido lugar. É o ego o que cria a individualidade, dando-nos a noção de meu e teu, de eu e você.

3.	Manastattva

A mente tem a capacidade de criar imagens e qualificativos para as coisas. Sua atividade está associada aos órgãos dos sentidos em suas formas objetivas (tanmātra) e subjetivas (jñānendriya). É dela que nascem à maioria das instabilidades do ser humano e o Yoga existe quase totalmente em função de parar suas atividades independentes. É de todo necessário ancorá-la para poder olhar o universo com os olhos de Śiva.

Tattva da experiência sensível 17 - 31

Vivemos em uma condição na qual necessitamos de contato físico para poder verificar a existência do universo. Precisamos de contato com as formas para melhorar nosso envolvimento com elas. A mente por si só já cria a imagem, mas necessita de suportes para enviar a informação de fora do mundo concreto. Assim nascem os Tattva da experiência sensíveis e, que são a saber:

Jñānendriyatattva - o nível da experiência sensorial cognitiva 17 - 21

São os 5 órgãos de percepção sensorial, ou seja, a percepção é obtida a partir da subjetividade dada pelas informações de cada um desses sentidos. Por isso geram o mundo subjetivo em que a realidade se baseia em informações desvirtuadas e irreais. Cada um dos sentidos tem um poder próprio e estão condicionados as captações das vibrações dos objetos apartir de um contato físico, quer dizer, de uma emissão vibratória que penetra nas cavidades do corpo onde estão localizados. São limitados entre si porque um não pode perceber o que o outro percebe. Assim tem os cinco algo em comum, ou seja, todos proporcionam estímulos ao cérebro, que os envia para que a mente os possa processar em forma de realidade intelectual. Não é de estranhar que a informação seja errônea, porque passa por muitos filtros antes de chegar ao órgão esclarecedor.

4.	Ghrāņendriya    - Poder de cheirar
5.	Rasanendriya   - Poder de saborear
6.	Cakşunendriya - Poder de ver
7.	Sparśendriya    - Poder de tocar 
8.	Śravaņendriya  - Poder de ouvir

Em verdade estes sentidos têm a capacidade de captar os poder de Śiva e não de criar as sensações dadas ao corpo. Lembre que somente Śiva tem o poder de perceber o universo, somente Ele tem a capacidade de conhecer. Os órgãos apenas captam os poderes que Dele provém.

Kārmendriyatattva - o nível da experiência realizadora 22 - 26

São os 5 órgãos de ação, por eles realizamos a vida. Se estes órgãos não entram em ação nós ficamos parados, imóveis e não realizamos o kārma. Eles são os obreiros de nosso corpo.

9.	            Vāgindriya 	- Capacidade de falar
10.	Hastendriya 	- Capacidade de tocar através das mãos
11.	Pādendriyas 	- Capacidade de locomoção através dos pés
12.	Pāyvindriya 	- Capacidade de excretar 
13.	Upasthendriya 	- Capacidade repousar e fazer sexo

De igual modo, esses órgãos não realizam por si mesmos como se tivessem vida própria, más pelos poderes vindos de Śiva. Só Śiva tem vontade, conhecimento e ação. A Prakrti trabalha segundo suas vontades, ou melhor, ela serve para que Śiva opere através de suas formas a evolução de volta até o lugar de ParamaŚiva.

Tanmātratattva - o nível da experiência sensorial 27 - 31

Tanmātra quer dizer “isso somente”, portanto, são conhecidos como os órgãos primários de percepção e tudo o que captam permanece reduzido a sua própria experiência. É como se as informações não passassem adiante, porque esse papel de enviar informações é da jurisdição dos jñānendriyas. Os objetos, segundo a luz dos tanmātra são tal como aparentam. Vajamos então:

14.	Sābdatanmātra 	- Percepção dos sons tal como se ouvem
15.	Sparsatanmātra 	- Percepção do tato tal como tocamos as coisas
16.	Rūpatanmātra 	               - Percepção da cor tal como olhamos
17.	Rasatanmātra               	- Percepção do sabor tal como saboreamos 
18.	Gandhatanmātra 	- Percepção do cheiro tal como aspiramos.

Uma vez mais diremos que o corpo por si só não tem o poder dessas percepções. Só é possível com a percepção de Śiva. Os tanmātra mesmos reduzidos captam as informações que Śiva sente. Sem a presença de Śiva, os olhos, a boca, a língua, o nariz e os ouvidos não conseguem perceber nada, assim é um cadáver.

Tattva da realidade material 32 - 36

É o último dos tattva de cima para baixo, ou seja, do estado de ParamaŚiva até o ser humano com sua estrutura física, ao mesmo tempo é o primeiro de baixo para cima, do indivíduo humano até ParamaŚiva. São conhecidos como pañcamahābhūta. São os cinco elementos densos de constituição de nosso corpo físico. Eles compõem a vestimenta mais grosseira do ser humano, por outro lado são considerados os mais importantes de todos, porque é com o que nós realizamos nossa vida. Segundo o Ramayana, até os deuses invejam o corpo humano, veja: 

“Por uma fortuna muito grande haveis conseguido um corpo humano, que como dizem as escrituras é difícil de conseguir, inclusive no caso dos deuses. É um tabernáculo apropriado para a realização interior e uma porta a liberação. Por “outro lado, aquele que o consegue pode fracassar em alcançar um bom destino no futuro”. “Não há forma tão boa como o corpo humano: toda criatura viva deseja tê-lo". É a escada que leva a alma ao inferno, ao céu ou a bem aventurança suprema e, é fonte de sabedoria, desapego e devoção. Por isso devemos conhecê-lo bem, tratá-lo da forma mais adequada possível, para poder alcançar nossa meta de vida, a realização.

Os pañcamāhabhūta são produzidos pelos tanmātra e fazem parte da Prakrti.

19.	Ākasa 	 - Éter, o mais sutil dos cinco. É produzido pelo sābda tanmātra (sons)
20.	Vāyu 	 - Ar é produzido pelo sparśatanmātra (tato)
21.	Teja 	 - Fogo é produzido pelo rūpatanmātra (visão)
22.	Āpas 	 - Água é produzida pelo rasatanmātra (paladar)
23.	Prithivi  - Terra é produzida pelo gandhatanmātra (olfato).

A Energia — a Mente e a Matéria


(467.1) 42:0.1 A FUNDAÇÃO do universo é material, no sentido em que a energia é a base de toda a existência; e a energia pura é controlada pelo Pai Universal. A força, a energia, é a coisa que permanece como um monumento perpétuo, demonstrando e provando a existência e a presença do Absoluto Universal. A imensa corrente de energia, que provém das Presenças do Paraíso, nunca faltou, nunca falhou; nunca houve nenhuma interrupção na sustentação infinita.

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