Tattva da experiência individual limitada 6 - 11



Aqui surgem a māyā (poder mensurável ou ilusão) e os 5 kañcuka

Māyā é a realidade ilusória criada a partir da redução da capacidade de ParamaŚiva. Ele que era ilimitado passa agora a condição de um ser limitado sofrendo devido à realidade oferecida pela māyā. A ilusão é dada pela idéia de medida e de separação, ou seja, Śiva ganha conceitos para olhar os objetos separados entre si mesmo e Ele e tudo o que conhece. O que era “Tudo isto” passa a ser somente objeto ou “isto”. Os kañcuka são as vestimentas da māyā para impressionar a Śiva e a diminuição de sua capacidade absoluta, ou melhor, tendo seus poderes de conhecedor de tudo oculto, permanece baixo o véu de māyā, sofrendo como um ser humano normal. Analisemos os kañcuka abaixo:

1.	Māyātattva - a limitação ilusória 

Māyā é um termo que geralmente é traduzido como ilusão. Aqui definimos como aquela que tem o poder de ocultar a verdade pelos limites que impõem. O indivíduo baixo seu véu passa a sentir-se ultra limitado acreditando cegamente que só é um ser mortal. O Yoga existe em virtude de revelar esse jogo para que o homem possa novamente sentir-se como  o ser real mesmo vivendo em sua condição de indivíduo limitado. A ilusão, de que tanto fala os vendāntinos (seguidores da filosofia vedānta de Śankara) advém desse nível de consciência, mas para ele o universo é pura māyā, ou seja, não existe. Desta discordamos, porque o mundo objetivo, ou seja, o universo é puramente real, sendo somente sua compreensão ilusória, observada pelos seres ignorantes. 

A ilusão dada pela māyā, está somente dentro da cabeça do ser humano e nós não podemos negar a existência do sol, porque ele está no firmamento e queima quando nos expomos aos seus raios. Se conseguirmos olhá-lo mais intensamente, iremos perceber que se trata de um imenso grupo de átomos vibrantes. O véu de māyā sobre nossa vista, torna uma pedra como um objeto duro, parado e sem vida, ao passo que fisicamente comprovamos que se trata de um delicado complexo de átomos. Concluímos dizendo que a ilusão existe, mas não sobre o que olhamos e sim na forma como percebemos o que olhamos. O universo existe e foi criado por Śiva, mas ao mesmo tempo esse ser incomensurável se oculta para não ser percebido como o criador, assim seu jogo ganha vida e necessidade de que alguém perceba o enigma. A seguir temos as cinco expressões de māyā. Portanto, vejamos:

Kañcuka 7 - 11 - O poder da ilusão

Os limitadores da percepção humana.

2.	Kalā - reduz a capacidade de criar com eficácia

O ser que criou o Todo, agora se encontra limitado, pensando que somente pode fazer as coisas que aprendeu na escola. Nascemos com todas as habilidades de Śiva, mas ao passar dos anos nossa educação e nossos próprios sentimentos velados por māyā passam a atuar intensamente na vida reduzindo-nos a seres individuais de um só ofício. Kalā faz este papel e por isso é que a maioria dos homens se escraviza para ganhar uns amontoados de dinheiro porque não se sentem capazes de criar sua própria vida. Sentindo-se incapazes de criar por si mesmo, têm que viver sob as ordens dos mais criativos. Aperfeiçõa-se, pois sois Śiva e sabes fazer de tudo.

3.	Vídyā - reduz a capacidade de conhecer de forma absoluta

O que conhecia tudo, agora só conhece o que lhe instruíram. Encontra-se reduzido de conhecimento registrado em sua memória, ou seja, das experiências passadas. Vidyā é traduzida como ignorância, o véu que oculta o saber, ou melhor, a sabedoria absoluta de Śiva, desperta! Dentro de ti se encontra a sabedoria absoluta e não necessitas de ninguém para fazê-la aparecer.
 
4.	Rāga - reduz o obter absoluto da Śakti para desejar algumas de suas formas 

Tu criaste o universo e agora reduzes esta capacidade de tudo ter para aferrar-se a alguns objetos pelos quais padece diariamente com a proteção e o medo de perdê-los. Rāga é atração ou paixão pelas pessoas no sentido de amor ou posse pelos filhos mais também de igual modo pelas coisas de tua casa. O mesmo sentimento que alimentas por teu carro é o mesmo que alimentas por teu companheiro, mãe ou filho. Tenta fazer a diferença, não com palavras, mas com sentimentos e verás que é a mesma coisa, ademais o prazer ou à dor causado pela perda dele, também se revelam iguais.

5.	Kāla - reduz a eternidade criando a idéia de passado, presente e futuro

Este é um dos piores agentes de māyā, pois escraviza o ser humano sem piedade. Para além de reduzir seu tempo de vida e diário, influi no tempo de modo geral, fazendo com que o homem encontre forma de negociar com ele, comprando e vendendo em troca de melhores condições de vida. Tens o tempo todo e agora baixo teu limite, só vives uma média de 80 anos de vida em um dia com 24 horas, uma hora com 60 segundos. Pensa um pouco nas estrelas que tu mesmo criaste e verás como elas perduram sobre o firmamento quase infinitamente. Será que uma estrela merece viver mais que seu criador. Tem sentido criar um universo sem tempo para desfrutá-lo? Lembra-te, tens todo o tempo que necessitas para encontrar a ti mesmo. O passado, presente e futuro são a mesma realidade. Se aprenderes a viver intensamente todos os momentos de tua vida, saberás que sois imperecedor. Tua consciência sempre existirá.

6.	Niyati - reduz a capacidade de penetrar em tudo, limitando-se a forma, causa e espaço

Temos que compreender o papel de māyā e tentar conviver com os kañcuka de forma a entendê-los em todas suas modificações, pois é para isso que serve nosso estudo. Não devemos ter a māyā como se fosse somente ilusão, porque ela existe de fato em nossa vida. Essa ilusão e o limite imposto por ela são vividos por nosso puryastaka (os sentidos, a inteligência, a mente e o ego) e, portanto, as reduções de nossas capacidades são provocadas por nós mesmos. A māyā não está fora de si, pois o mundo objetivo é real, ela se encontra dentro de nós e é ai onde existem os limites. Essa verdade serve para que nós olhemos o mundo como real, do mesmo modo que os figurantes da peça teatral desenvolvem seus personagens, somente para confundirmos, a māyā faz o mesmo papel, todavia ambos são reais. 

No teatro de māyā tudo é irreal, porém a realidade que nós temos do guiam é totalmente real, porque nos ficamos absortos na vida mundana. O despertar deve ser dado tão rápido quando tomemos Consciência desta realidade. Uma vez que acredites no teatro de māyā, ele se tornará real e a vida será rica em prazer e dor. Analisemos o próximo tattva.

Tattva do indivíduo limitado 12 - 13

Aqui mostraremos a condição do ser humano.

7.	Puruşa - a chispa de vida no indivíduo limitado 

Aqui, ParamaŚiva que limitou a condição de Śiva, agora se converte no Puruşa que ainda é mais limitado, passa a obter a experiência do universo apartir de seus corpos sensíveis, isso nos diz, que tudo é visto pelo prisma da constatação física. Em realidade, Ele vivência a vida sobre a ótica de seus 7 corpos, desde o denso até o mais sutil, tendo mais ênfase da utilização dos 5 sentidos (tanmatra). Portanto são dois os aspectos deste tattva, a saber: Puruşa e Prakrti, o indivíduo sensível e a matéria constituinte de seus corpos e de tudo fora dele. Enquanto que o Puruşa é igual em todos os seres, a prakrti é mutável e cada ser tem a sua mais ou menos desenvolvida segundo suas capacidades. 

O Puruşa, não é inativo como afirmam o Sāmkhya e o Vedānta, ao contrário é Ele mesmo que impõe vontade para que a Prakrti o execute. Se a consciência estivesse inativa em nós e não participasse com sua sapiência teria que admitir que qualquer objeto tenha lucidez clara de si mesmo, do mesmo modo teria o corpo capacidade de se conhecer baixo sua própria consciência individual isolada do purusa. Como não admitimos tal afirmação, pois ao olharmos um jarro, falamos que mesmo sendo constituído de energia, nos faz pensar que pertence ao grupo dos seres inanimados, dos que tem vida mais sem consciência de si mesmo. Assim damos por equivocada a teoria dada pelo Vedanta e pelo Sāmkhya de afirmar a inatividade da Consciência. 

Lembre que é exatamente o fato de termos uma consciência ativa que nos faz diferente dos objetos. Que sentido teria para ParamaSiva, que antes vivia isolado em sua integridade, criar o Universo, participar dele dentro dos seres vivos e não atuar em nada? Somente como testemunha, não me parece que pudesse comprovar sua existência, nem o universo que despregou, pois como pensamos antes, já era o grande testemunho do imenso vazio.
8.	Prakrti - a energia construtora de a realidade objetiva 

A Prakrti é a ajudante do Puruşa e não realiza nada que não seja a vontade de Śiva. A Prakrti se apresenta de três formas diferentes e são: tamas, rajas e sattva, respectivamente repouso, movimento e equilíbrio ou ritmo. A disputa constante entre Puruşa e Prakrti nesse tattva, deriva da condição que ambos teêm de conhecedor e conhecido, de experimentador e experimentado. Ambos constantemente esquecem a noção de sua real característica e isso contribui para que nós nos afundemos ainda mais no teatro de māyā, dando a ela a cada instante mais realidade. Passemos aos próximos Tattva:

As Constelações


(485.1) 43:0.1 EM GERAL referimo-nos a Urântia como sendo o 606 de Satânia, em Norlatiadeque de Nébadon, significando o seiscentésimo sexto mundo habitado do sistema local de Satânia, situado na constelação de Norlatiadeque, uma das cem constelações do universo local de Nébadon. As constelações são a primeira divisão de um universo local; os seus governantes fazem a ligação dos sistemas locais de mundos habitados com a administração central do universo local em Sálvington, e, por refletividade, com a superadministração dos Anciães dos Dias em Uversa.

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