Tantrismo

O fundamento filosófico do Svātantrya Yoga
 
Śaivacarādvaitatantra
Seguidores de Śiva do tantrismo monista
ConsciênciaEnergia 
ŚivaŚaktī 
Dentro do hinduismo há um grupo de escrituras conhecidas como āgamas, que colecionam em seu acervo as revelações de Viśnū (espírito da trindade hindu) e Śiva (aqui Śiva representa o filho na trimurti da criação hindu) aos vários discípulos que expuseram em forma de livros. Há, portanto três escolas distintas entre si: Vaiśinavismo, para os seguidores de Viśnú, Śaivismo o Śivaísmo para os seguidores de Śiva e Śaktismo para os seguidores do Tantra com reforço na vibração da Śakti. 
Trataremos aqui do Śivaismo porque somos estudiosos dos ensinamentos de Śiva e um pouco do Śaktismo quando nos ocuparmos da seção Śaktopāya de nosso sistema. 
No final do século VIII e início do século IX de nossa era, Vasugupta dá ao conhecimento público os ensinamentos que Śiva lhe transmitiu em sonhos (as opniões são quase que unânimes que Śiva revelou o Śiva sūtra em sonhos). Hoje são catalogados esses aforismos em um livro chamado Śiva sūtra contendo em sua totalidade 77 sūtra divididos claramente em três sessões(níveis de percepção que o praticante pode atingir em seu percurso de vida). 
Considero o Śiva sūtra um livro intrigante porque ele somente cai nas mãos de alguém quando houver brecha para a visão monista da vida. E mais curioso ainda é que ao longo dos 17 anos de estudo do nirisvarasamkhya e do dvaitatantra de linhagem branca nunca escutei, vi, e nem conheci alguém que me falasse desse livro.
Mais curioso ainda é que quando falamos de yoga e pensamos em obras importante para estudo dessa filosofia logo nos aparece o yoga sūtra de Pātañjali que embora sendo um livro considerado importante ensina muito pouco sobre o yoga essencial perpetrado pelos drávidas (povo nativo da India).
Do Śiva sūtra foram feitos 4 comentários: o primeiro conhecido por vritti, de autor desconhecido, o segundo Vārtika escrito por Bhaskāra, o terceiro vimarśini (comentário fundado em averiguação e análises critico bem documentados) do autor Kśemarāja e o quarto Śivasūtra Vartikam de Varadarāja também conhecido por Kriśnadāsa. Daí nascem as escolas que aperfeiçoam o estudo desses ensinamentos e por vezes complicam um pouco quando passa de  77 sutras para 8500 no caso do tantraloka, uma das obras de Abhivagupta.
Tudo começa a partir do estudo dos princípios da realidade pura que é ŚivaŚaktī (ConsciênciaEnergia) na mesma unidade
No tantrismo e no saktismo hora predomina Śiva como mestre hora predomina Śaktī como mestra e isso se dá devido à predominância de um dos aspectos da unidade primordial ser mais ressaltado. Quando Śiva é mestre ele tem Śaktī sob sua orientação e não há confusão na relação com o universo. Sendo Śaktī a tutora Śiva relembra sua magnitude ao se refletir nela. Lendo o Śiva sūtra vemos que Śiva é mestre da Śaktī e no spanda kārika é a Śaktī que ensina a Śiva. 
Não esqueça que em ambas as escrituras Śiva e Śaktī é ŚivaŚaktī e não disputam superioridade entre si. Trata-se de compreensão mútua da unidade nos seus dois pólos e tanto Śaktī como Śiva sabem da realidade que permeia toda a sua natureza. Eles são lúcidos da sua própria existência sem dissociação, sujeição, apego, julgamento, inclusive devoção, pois sabem que a energia dissociada de Śiva não existe.
O que é ŚivaŚaktī
Ambos são Śiva, pois Śaktī nasce Dele e por isso não podemos dizer que ambos é ŚivaŚaktī ou Śaktī, uma vez que a origem está em Śiva e somente ele existe de fato sem temporalidade. Da consciência nasce a Energia e dela toda a matéria formada orgânica ou inorganicamente(hoje a ciência já comprova que toda matéria é orgânica). 
Dizemos ŚivaŚaktī porque essa unidade é indivisível mesmo que iludidos pensemos que são dois. Se fosse realmente dois poríamos um artigo de ligação e a frase seria Śiva e Śaktī. 
Siva não tem origem, nem começo nem fim, é sempiterno e por essa razão a energia tem que nascer dele. Se, nasceu dele também é ele, daí que não sendo duplo apenas coadjuva na mesma unidade de existência. Cessando a vida (manifestação de Śiva) para um obrigatoriamente o outro também deixará de vibrar.
A expressão ŚivaŚaktī somente é válida para sistema filosófico não dualista porque todos admitem que a unidade não tenha divisão. 
As escolas de tantradvaita (dualistas) dizem Śiva e Śaktī aludindo ao homem pura consciência e a mulher pura energia de maneira que um precisa do outro para se complementar. Nesse estudo do advaitatantra (monista) a mulher e homem são ŚivaŚaktī mesmo que separados, é dizer, são completos por natureza e o papel do casal se torna necessário para a relação de procriação. Metafisicamente os dois são um e um não depende do outro para ser completo já que é manifestação de ŚivaŚaktī em sua individualidade (nāra)
Śiva (Consciência cristalina, espírito, monāda, cispa divina, transcendente, EuSou, )
Todo o universo é Śiva e dele deriva todas as causas, formas e espaço existente. Nós indivíduos quando realizamos algo temos como causa śiva, pois somos ele. Nada fica de fora e não há um espaço ou forma recôndita em que Śiva não participe porque ele é o principio da vida, portanto da existência de qualquer ser ou forma. Sua presença marca a existência do todo indivisível e cada ser que surge é ele mesmo. 
Não estando preso a nenhuma das formas propiciada por sua energia ele é Consciência cristalina e não padece quando se envolve com a energia mesmo na condição de Jivātmā em que possui gunatraya (ritmo, movimento e repouso da energia manifestada) de maneira oscilante. 
Śivatattva (aquele que cria o universo) não possui gunatraya porque é consciência pura. Sua natureza não muda, não oscila, não decresce, nem cresce. Sua condição é única e invariável. Tudo que vemos se alterar no universo que construímos em nosso interior é Śaktī com seus atributos, sentidos e sentimentos. Ela Sou Eu em minha forma sensível manifestada com inteligência, ego, mente, paladar, audição, cheiro, tato, palavra, preensão, locomoção, excreção, prazer, vibração, espaço, tempo, ilusão, limitação, expressão, expansão e contração. Śiva para alem de manifestar a energia dá-lhe atributos especiais para ter capacidade de refleti-lo perfeitamente.
Śakti (Energia Primordial, espelho de Śiva, matéria)
A Śaktī é a expressividade de Śiva, nasce dele e é ele. Transforma-se, tem nome, peso e forma. É éter, ar, fogo, água e terra e aparece equilibrada, movida e parada. Nasce Śaktī e se converte em Prakŗtī para ganhar comportamento e evolução. Nasce pura e se mantêm pura. Da mesma maneira que Śiva não modifica sua natureza quando se converte em diversos indivíduos, Śaktī também não perde a sua natureza mesmo quando se converte em matéria modificada por Śiva. 
Frequentemente ouve-se muito sobre a evolução do ser quando na verdade estamos propondo movimento somente na energia aperfeiçoando-a para melhor refletir nosso espírito que é Śiva. Essa confusão faz por vezes o homem sofrer e objetivar esforços no pólo errado de sua unidade e isso acontece com os espiritualistas que dando mais atenção ao espírito desprezam seus corpos atribuindo-lhes peso para a sua realização. É lastimável esse erro e daí perpetra-se a ciranda do nascer e morrer já que a realização não se efetiva quando desfavorecemos nossa maneira de poder está presente nesse universo pela via orgânica.
Mesmo as formas que consideramos tóxicas, impuras, artificiais continuam sendo Śaktī e tem sempre possibilidade de reversibilidade. Se as modificações não são bem realizadas pelo homem, esse período é mais extenso, mas quando Śiva opera como indivíduo e dentro do padrão de funcionamento que estabelece para a energia co-existir com a consciência então sua beleza ainda é mais natural e a convivência com ela é mais perfeita.  
A toxicidade do planeta é devido à ignorância do indivíduo que não permite a reciclagem e a reversibilidade dos biorritmos naturais. Por desorganizar a Prakŗtī desequilibra também sua vida e seu entendimento fica conturbado. 
Nesse estudo o universo é um teatro e todo ele ocorre na presença de māyā sobre o comportamento da Śaktī que oscilando confunde Śiva e ganha vida própria. O corpo parece existir sem o espírito principalmente quando tem vontade própria nos obrigando (a razão dessa autoridade deriva dos samskāra, registros condicionado que nos excita a realizar outra vez o que já sabemos e sentimos) a comer, realizar e viver pela relação constante . 
Māyā é o poder limitador da Śaktī que é Śiva, portanto MāyāŚaktī é Śiva iludido com a sua criação velado pelo seu ājñāna ou ignorância e repetindo tudo outra vez para certificar sua existência.
Esse comportamento triplo da Śaktī é chamado gunatraya e todas as formas existentes de Prakŗtī (matéria) têm os três aspectos em maior ou menor escala. A predominância de um determina o estado geral do indivíduo e por isso numa visão simplista chamamos tamāsico os minerais, rajāsico os demais seres e sāttvico os seres que ganharam harmonia de ŚivaŚaktī onde não há lutas na unidade. Vejamos esse triplo desempenho.

Prakŗtī – é Śaktī configurada com atributos

Antes de se converter em Prakŗtī, Śaktī é pura como Śiva, pois ainda não tem atributos sendo também chamada PrānaŚaktī ou energia de vida primordial. É energia virgem e sem uso. Todo o vazio que vemos no que chamamos espaço é PrānaŚaktī em potencial que atua. Daí nasce a Prakŗtī para dá forma e luz ao universo. Nessa etapa (tattva universal) ela não luta com Śiva e por isso não há confusão na natureza dos pólos da unidade real. Śiva e Śaktī são claros na unidade. Isso se dá em sādākya no tattva universal da criação onde Śiva afirma ser Isto (Śaktī), mas permanece indefinido no universo, é dizer, Śiva e Śaktī é ŚivaŚaktī; criação e criador é Śiva que é Consciência Pura.
Mas tarde essa unidade se divisa e mesmo permanecendo indissociáveis eles brigam entre si por uma identidade distinta. Mas isso somente acontece porque nasce māyā que iludindo aos dois cria o jogo (lilā) do teatro de māyā e dar-se a vida de Śiva e Śaktī como dois seres dentro da unidade. Somente após recuperarem a unidade harmonizada é que se dissolverá o universo ilusório e Śaktī é recolhida em Śiva. Mas não esqueçamos que é precisamente esse jogo que nos permite existir individualmente e tornar o universo tão delirante e cheio de magia.
Por essa razão é que a palavra Yoga vem no sentido de união. Mas como sabemos que māyā é quem propicia essa confusão, insistimos para que não busquemos essa união, pois quando persistimos tornamos o sādhana, (prática do yoga) uma ilusão ainda maior, para além de frustrar a vida como ela é.
Segundo a doutrina śākta (śāktismo), Śaktī tem dois aspectos e são conhecidos como VidyāŚaktī  ou energia consciente,  que é Śiva mesmo; e AvidyāŚaktī ou MāyāŚaktī que é a consciência veladora posta na Prakŗtī (matéria). A diferença se dá porque VidyāŚaktī permanece lúcida que é Śiva enquanto que na manifestação MāyāŚaktī ela luta por velar Śiva em si mesma tornando-se por seu poder próprio inconsciente de sua realidade. 
No fundo tudo é real e a diferença entre real e irreal está no fator tempo (um dos aspectos de MāyāŚaktī) que mesmo sendo também MāyāŚaktī  dá a Prakŗtī um tempo de permanência no espaço etéreo que quando cessa revela sua natureza forçosamente. Portanto, cessando o tempo de casulo a borboleta se revela como tal. Era um casulo somente temporariamente.  Assim concluo dizendo que Śiva é tudo, Māyā é Śiva, VidyaŚaktī é Śiva, AvidyaŚaktī e Prakŗtī tambem é Śiva.
Isso se resume no mantra SarvamKhalvidamŚivam,  tudo é Śiva.
Agora vejamos como é o gunatraya de Prakŗtī. Fique atento!  

TrigunaŚaktī ou Gunatraya – tamas, rajas e sattva
1° comportamento após a criação - tamas
Tamas, Tamásico, Tamoguna (estado relaxante da energia) 
Em repouso Śiva desfruta da vida como mineral e sua sensibilidade é ínfima porque seus corpos são mais densos, e por isso tem menos percepção do universo que cria, ao mesmo tempo a sua auto-percepção é aguçada do mesmo modo que em um ser humano. A consciência não se altera pela forma que o reveste, isso não afirma que Ela seja lúcida de sua existência em qualquer corpo, já que se encontra velada da mesma maneira que no estado humano e nesse sabemos, a maioria dos nossos irmãos desconhece ser Śiva.
Quanticamente já se sabe que Śiva na condição de pedra, tem a mesma grandeza que na condição humana, conquanto saibamos também que Ele como pedra não tem expressividade suficiente para fazermos crer que o espírito continua lá e de igual modo nos humanos. Isso fez com que a ciência chamasse esses indivíduos de inorgânico equivocadamente, pois no fundo eles são perfeitos como os humanos. Tem sentimento, entendimento, compreensão, intuição, mas em outros graus de utilização e apresentação de suas vidas. É a energia que recebe os estímulos, mas é a consciência que sabe o que sente.
O repouso da Śaktī é aparente porque se limita à percepção que Śiva tem quando utiliza os sentidos (jñānendriya) para analisar os outros indivíduos. A percepção alcançada na condição mineral é diferente da condição vegetal, animal, humana e das entidades dos planos astral, mental, intuitivo e espiritual somente entre os reinos. Em todos eles Śiva se encontra velado por māyā e não percebe que ele é em sua natureza real o mesmo ser. Entre as mesmas classes de seres existe comunicação, relação e vida afetiva de igual modo que entre os humanos, mas a percepção que temos das outras espécies é sempre presunçosa, dedutível e imaginativa. 
Os humanos são rompantes para pensar mil coisas sobre os outros reinos e como sei que os outros também é Śiva, devo admitir que essa presunção também exista lá nos outros grupos quando nos vêm em nossas loucuras na terra. 
Como todo estado perceptivo deriva da existência do universo, portanto de Śaktī posso dizer que o conhecimento encurta e se dilata dependendo da condição em que esteja agrupada, formatada e elaborada a Śaktī de Nāra o indivíduo. A organização corporal dá a Śiva maior possibilidade de se auto-revelar, mas é sempre raro um indivíduo ter consciência de si mesmo como ser absoluto e promovedor do universo aparente em que surge.
Conhecimento é energia e somente existe na Śaktī já que Śiva é Consciência Cristalina e existe por ele mesmo. Todo o processo de parināma (evolução) se dá apenas na Śaktī, pois somente ela se desenvolve, muda e se elabora de infinitas maneiras exatamente por causa das variações comportamentais proporcionada pelo gunatraya. 
Śiva permanece sempre o mesmo em todas as mutações da Śaktī e assume a aparência que a Ela lhe der. Quando olhamos nossa cara num espelho vemos na verdade a cara da Śaktī naquele momento, mas a expressão é de Śiva.
Śiva é amórfico e anamarūpa, é dizer que todas as formas são de sua energia primordial e todos os adjetivos, nomes, substantivos que possamos utilizar aludem somente a Śaktī.
A condição em que se apresenta nos infinitos seres não diminui sua realidade, nem anula capacidades, simplesmente não pode expressar devido à forma limitada pela organização da energia. Mas não é de se lamentar já que é própria de cada classe de ser. Na rudez da existência aparente Śiva permanece velado por māyā que é o principio de sua ilusão e com ela dança a vida como vemos e fazemos agora. Como peixe nada; como cobra rasteja como lagarto, anda, como pássaro voa e como homem inventa o que lê falta para ser igual as outras espécies.
Em cada vida Śiva propicia a evolução da Śaktī e à medida que se desenvolve, facilita por assim dizer, sua liberdade. Em todos os corpos que habita, sem importar os planos em que atue, Śiva é sempre quem incita o movimento da vida, mas em nada evolui ou decresce sendo essa uma capacidade exclusiva de sua Śaktī. 
No período de repouso a vida é mais dilatada para Śakti e a permanência de Śiva no interior dessas formas é muito maior, mas haverá sempre um momento da transformação desse corpo e, portanto a migração do jivātmā (Śiva individual) a outro suporte energético. Concluímos que a passagem de um corpo a outro é propiciada pela Śaktī pois antes que ela padeça, Śiva não a abandona já que dela depende a sua estada no universo. Se não houver energia Śiva não se propaga. Daí a máxima do dvaitatantra, sem Śaktī, Śiva é śava. Sem a energia a consciência está inativa.
Portanto em tamoguna encontramos a maneira mais difícil e duradoura da manifestação de Śiva. Há que ressaltar que o princípio motor é sempre Śiva. Śaktī não se comporta, nem existe se não houver a presença se Śiva. Podemos dizer que Śiva é simultaneamente energia/movimento no espaço (ŚivaŚaktyākāśa). Sua ausência desmonta qualquer forma tangível. Por isso afirmamos Śiva é o universo porque esse depende potencialmente Dele. Agora podemos entender melhor a máxima do advaitatantra que contraria a do dvaitatantra: sem Śiva, Śaktī é śava. Sem a consciência a energia não existe. 
Tamoguna é o começo da criação e bem antes da expressão oscilante e visível da VidyāŚaktī o universo permanece parado por um período muito extenso e Śiva continua como se não existisse já que ainda não propõe locomoção. É uma fase de adaptação de Śiva em sua nova condição, em verdade, sua nova existência, pois antes de existir como jivātmā não há vida individualizada. Como é inútil por que não tem expressão, Śiva agora atua na condição mineral que é muito similar a sua transcendência (inexistência), mas com um pequeno grau de diferença, como pedra já é um indivíduo e atua no universo como nós no estado humano. 
Aparentemente Ele tem uma diferença bem marcada pelo surgimento de MāyāŚaktī que sendo incitada por Śiva sente mais o universo. Vendo a pedra com olhos humanos dificilmente aceitamos que a consciência esteja lá da mesma maneira que aqui em mim agora se você me olhar. O nível de velamento (ocultação) dado por MāyāŚaktī é enorme e não podemos atrever a dizer o que um ou o outro sente em cada condição que vive e pior ainda o que pensamos um do outro. Falar sobre a pedra é diferente de ser a pedra.

2° comportamento após a criação – rajas – movimento, locomoção
Rajoguna 
O movimento é outro comportamento da Śaktī e assim se dar porque Śiva agora é mais emergente. À medida que os corpos se aperfeiçoam, Śiva ganha mais expressividade e por isso dizemos que nos seres mais hábeis vemos um espírito mais refinado. Não deixa de ser uma verdade parcial, porque continua sendo a Śaktī quem realiza os movimentos aparentes já que Śiva é consciência diáfana. O movimento é incitado por Śiva, mas é Śaktī quem o arte-finaliza. MāyāŚaktī  é responsável por essa ilusão de óptica e não podemos esquecer que Śiva é amórfico, portanto não possui movimento já que não tem forma.    
Nesse período de movimento a Śaktī dá mais mobilidade a expressão de Śiva e a perfeição é tanta que vamos a diversos ambientes (teatro, cinema, circos, parque naturais…) vermo-nos em apresentação. O movimento é perfeito e a vida aparece numa dança eufêmica. Tudo se desenvolve instantaneamente, pois o tempo marca a respiração de Śiva através da Śaktī em todos os indivíduos. Recorde-se do abrir, fechar e murchar de uma flor, o nascimento da criança, o fluir do rio, o cair da chuva... Se acelerarmos, veremos numa fração de segundo, o movimento da vida começando e findando.
Rajas é a magia da vida e desse guna nasce o verdadeiro glamour da Consciência porque em tamas a consciência está como em sattva, inexpressiva por haver equilíbrio e ritmo. É em rajoguna que energia/consciência oscila por isso há movimento, conhecimento e māyā mais reforçada. 
Apos finalizar essa etapa do desenvolvimento da Śaktī começa outra vez o período sattvico e o universo voltará de novo para o interior de Śiva. É o processo de retorno onde o começo foi estabelecido pela consciência com energia interiorizada e agora segue sendo energia com consciência internalizada. 
No período sattvico, energia e consciência perdem individualidade e o processo é inexpressivo também. Dessa competição de ŚivaŚaktī nasce o movimento e o período mais belo da vida onde é o poder da ilusão que rege a dança do par. Sem māyā não haveria nada transfigurado sendo tudo a mesma coisa, o mesmo ser, o mesmo Śiva.
Exatamente por isso é que não convém parar o jogo, a disputa mantém o universo. O samādhi acaba com o universo. É também a ansiedade maior do yogi pela vida. O praticante não quer mais viver como indivíduo.
O processo de realização se dá nesse comportamento da Śaktī e é quando o ser mais tem insight. JñānaŚaktī está superativada precipitando KriyāŚaktī, a energia da realização, a todo o momento. Já não há inércia na vida do ser e inclusive dormindo ele continua ativo por se revelar.
3° comportamento após a criação – Sattva 

Sattvoguna
Comportamento equilibrado, ritmado onde a inexpressividade impera. Na harmonia pouco se nota da vida. O estado é tão neutro que a relatividade cai por terra. Se tivéssemos ao nascer sempre a paz instaurada em nosso ser não veríamos a vida se realizar. A oscilação, o fora de eixo, o desequilíbrio marcado por tamoguna e rajoguna de Śaktī é que estimula Śiva a viver. Cessando essas duas fases caímos em harmonia e a luta incessante entre ŚivaŚaktī termina para o universo se recolher em Śiva. 
Ainda teremos um longo período de rajoguna para depois voltar a reinar o período sattivico onde serena outra vez a consciência. A acedência vivifica o processo ao contrário. O que desceu agora tem que subir. O que saiu agora precisa entrar. Śiva recolhe Śaktī e se torna inerte outra vez na inexistência.
Esse período de descanso, de volta ao ovo onde Śiva passa a ser embrião (hiranyagarbha) é chamado de praláya. Ele volta a sua inutilidade e o universo desaparece até que ele se inquieta outra vez e ressurge ainda mais vigoroso e brincalhão.

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As Personalidades do Universo Local


(406.1) 37:0.1 À FRENTE de todas as personalidades de Nébadon, está o Filho Criador e Mestre, Michael, pai e soberano do universo. Coordenada em divindade, e complementar pelos seus atributos criativos, está a Ministra Divina de Sálvington, o Espírito Materno do universo local. E esses criadores são, em um sentido muito literal, o Pai-Filho e a Mãe-Espírito de todas as criaturas nativas de Nébadon.

(406.2) 37:0.2 Os documentos precedentes trataram das ordens criadas de filiação; as narrativas seguintes retratarão os espíritos ministrantes e as ordens ascendentes de filiação. O presente documento ocupa-se, principalmente, de um grupo intermediário, o dos Ajudantes do Universo, mas também faz uma breve consideração sobre alguns dentre os espíritos mais elevados que permanecem em Nébadon e algumas das ordens de cidadania permanente no universo local.