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Śaivismo


Tudo começou em Śiva, disso não temos dúvida. Śivaismo é o princípio que Śiva usa para criar o universo com seus atributos e comportamentos. Os atributos são as capacidades que todos nós temos para existir de igual modo a Śiva porque somos ele (chit, ānānda, icchā, jñāna e kriyā śakti – consciência, bem-aventurança, vontade, conhecimento e realização) e os poderes são as forças para criar a energia e lhe dá as formas que conhecemos (também conhecido como quintessência: emissão, conservação, utilização, velação e revelação)


O Śivaismo não admite uma lacuna entre  Śiva e os infinitos seres desse universo e não há distância ou diferença entre Śiva e Śakti. Essa religião é condição inata do Ser e portanto o modo operandi que Ele usa para conceder harmonia e bem aventurança aos seres em que se polariza com alma, ego, mente e corpo formando-se um sujeito limitado.


O sagrado nasce na hora em que tudo é forjado no calor do amor natural que Śiva respira enquanto joga a brincadeira perpétua do esconde-acha (vela-revela, apaga-ilumina, ignora-sabe...). Só sendo sagrado pode alguém sacralizar. É tonto achar que quem não está ligado a Śiva pode venerá-lo ou realizá-lo nas variadas formas de adoração. Śiva se vela e só ele se revela, mas não revela ninguém porque cada ser é ele mesmo.


Nossa ilusão é a grande magia que usamos enquanto Śiva para se esconder de nós mesmos, ela nos impede de vermo-nos como realmente somos essencialmente. A ilusão aqui não entra como não existente (como diz Śamkara no vedānta), simplesmente como ocultadora e sobretudo redutora da nossa capacidade absoluta. Assim sendo, fazer qualquer tipo de oferenda a Ele não deixa de ser absurdamente paradoxal, já que o grande é o mesmo ser pequeno que o adora. 


Sagrado e profano está dentro da cabeça porque é fruto da ignorância (āvidya), aquele que não se reconhece sagrado precisa de ritos para ser e acaba simplesmente ficando a margem de si mesmo venerando apenas seus atos em detrimento de sua alma. A maneira como ritualiza é mais importante que a alma para quem o rito é feito.


O que de mais sagrado há nessa vida natural é sabermos que somos Śiva, essa verdade afasta qualquer dúvida entre espírito e a matéria, entre ação e reação, entre deus e a natureza. Tudo é sagrado e a sacralização é uma redundância que pode também vir a ser importante para lembrar nossa natureza excelsa. O Śivaismo é anterior a qualquer forma de religião e nunca pode sair do campo ontológico do ser porque não se trata de adoração, mas da existência no agora em que as consagrações são atos necessários para a sobrevivência.  Amar, comer, banhar-se, colher o alimento, caçar, beber, excretar, falar, dormir, enfim coisas do necessário existir.


O jogo entre os seres é sagrado porque é sempre o mesmo Śiva quem opera cada instante do viver. Essa religião não tem o sentido latim do re-ligare porque não foi jamais desconectado o pequeno Śiva do grande Śiva. As forçosas insistência das religiões, igrejas, seitas e variadas instituições que falam do sagrado, acabam profanando ambos os lados dessa relação porque sempre intermediam entre o criador e a criatura ficando evidente que todos precisam religar-se com o pai para minimizar as causas desarmonizadoras que os filhos geram assolando a vida na terra.


Para o Śivaismo, do modo que entendemos , todo o esforço para se re-ligar, re-unir, ou simplesmente unir é em vão porque o criador não existe sem as criaturas e vice e versa. Deus é a soma de todos os Eus e em cada um que nasce ele permanece sagrado. Não é pelo esquecimento que perdemos nossa sacralidade nem pelos esforços que voltaremos a ser sagrados.


Não se trata de merecimentos nem de ações imaculadas, de sermos bons ou maus, de sermos otimista ou pessimistas, egoístas ou altruístas, nada disso conta na balança do sagrado porque os polos não se dividem e fazem parte de toda a existência do Ser. Ele é livre e tudo está permitido. Śiva não é bom nem ruim, muito menos justo, porque suporia um medo de cair nas extremidades. Ele é somente.


As vias de salvação são distrações que continuam ameaçando esse sagrado de cada ser porque lhe tira a liberdade e o poder de operar e pensar livremente. Deus não aparece para nós nessa atualidade porque não seria aceito de maneira absoluta. O homem criou a lei da relatividade e ela não pode jamais ser aplicada a Ele. Aprendemos a viver na parte e dificilmente alguém consegue ser o todo e aceitar as loucuras que sucedem dentro Dele.


As religiões não garantem nada conclusivo para os fieis e por isso induzem a fé (ela dá margem para confiarmos no que poderá vir...) para assegurar que os bancos da insegurança pessoal estarão sempre cheios de fieis. O Śivaismo não distende o espaço nem o tempo entre Śiva e Nāra (cada individuo polarizado por Śiva ), entre o criador e seus filhos porque ambos são o mesmo ser. Não há caminho para um encontro e nem uma união a se efetivar entre Deus e cada um de nós. Esses desvios e necessidades são articulações e atribulações mentais propiciados, em parte, por nós mesmos e pelas instituições de controle. Aquele que se mantiver em seu sagrado coração, por mais parca que seja a sua confiança estará absoluto e não cairá na tentação do sofrer a mercê de si mesmo.


Os povos que não saíram da natureza para a cidade em busca da evolução permanecem sagrados porque não criaram limites entre sagrado e profano. Porem, nas cidades os que correm rumo a tecnologia se enganam nas pequenas visitas que fazem ao sagrado nas igrejas e assembleias, templos e sinagogas, castelos e palácios, tendas e manjedouras a procura de sacralizar quem não se profana e de sacralizar-se quando já o é.


Esses locais se apresentam como ambientes onde tudo precisa ser sacralizado já que é preciso fazer algo para se re-ligar desprezando quase sempre o que de fora está. Na verdade há somente uma falta do ambiente natural e já deve ter reparado que a simples presença na floresta, no campo, na praia abranda essa distância entre nós e Deus. Eles criam o sagrado e o sacralizam em detrimento do profano quando ambos não deixam de ter e ser a mesma essência. Não há nada que fuja ao sagrado e não será uma crença que diferirá entre as formas de vida, pois tudo é divino, tudo é sagrado, sacramentado e velado nas consciências ordinárias. Falta compreensão para atingir Deus nas mais profanas formas, atos e nas mais temíveis trevas. Em todas as partes ele está e sua presença e o vade-mécum da sua própria existência e é exatamente sua onipresença que molda todas as formas de aparição nesse universo de vidas relativas e por vezes paralelas.


Somos encorajados por nossa mente a escolher, a criar preferência quando apostamos no sagrado, em Deus e se reparamos as nossas escolhas são pequenas e poucas em relação ao grande universo de oportunidades.


Sabemos o que é sagrado no planeta e fora dele o que sabemos?


O sagrado é apenas aquilo que conhecemos e decidimos e todo o resto é profano pela mesma crença mental. Um pedaço de madeira esculpido em forma de santo não é mais nem menos sagrado que um escultura de ouro nem uma grande mentalização Yogi, nem um mantra ou qualquer outra forma de oração. O verdadeiro ser não prefere, não faz adorações, não sacraliza porque sabe que tudo já é da sua natureza divina. Śiva é um ser solitário e todas a sua criação de indivíduos é um passa-vidas para iludir-se e ganhar utilidade na existência.


Criticar nossos atos e judiciar nossos irmãos é cuspir no grande prato da criação universal, é declarar sarcasticamente um protesto contra o criador e esquecer que quem julga está sendo julgado por si mesmo. Śivaismo é em suma tudo que existe no mundo natural e qualquer manifestação é prova cabal que Śiva  opera seu amor na possibilidade infinita da grande energia mãe. A maior verdade Śivaista é aceitar o próximo como nós mesmos, identificar o outro como nossa natureza mais profunda, reconhecer-se Deus em qualquer condição de vida e finalmente acatar cada ação diária como  manifestação de amor a Śiva na pele em que vivemos.


A maior profusão do Śivaismo se deu em Kaśemira entre o século oitavo e décimo da nossa era. Śiva aparece no sonho de Vasugpta para lhe dizer que ele é Śiva e que pode cessar suas buscas pelo Yoga. Assim após ter deixado escrito em uma pedra os seus ensinamentos que mas tarde viriam a ser o livro principal do Śivaismo de Kaśemira, Vasogupta deu continuidade o estudo e graças a ele chegou até nós. Esse livro é conhecido como Śiva Sutra e são 77 frases lacônicas que reforça em todas as suas instâncias o ser único.


Śiva é tudo isso, é dizer, o universo, portanto cada um de nós. Essa revelação passou a ser objeto de estudo e iniciou todo o movimento Śivaista na cidade de Kaśemira na Índia, hoje mais conhecido como Paquistão. Não nos iludamos outra vez e prestemos atenção. Houve naquele momento apenas uma revelação do real estado do ser em qualquer criatura e como era na cidade pareceu que o Śivaismo como religião acabou de se iniciar ali e isso não é verdade.  Do mesmo modo que o Yogi copia a natureza par matar a necessidade dela e poder está sóbrio em Śiva, também fizeram os estudiosos daquela época, copiaram o movimento natural da vida do campo e o batizaram de Śivaismo. Vemos isso facilmente porque os povos mais primitivos não tinham a escrita e comungavam da mesma sensação que o Śivaismo profere. O sagrado não tem dois lados separados e tudo forma parte de sua existência, na verdade só existe Ele.


A partir dai surgem varias escolas de pensamento e é quando nasce o sistema Trika resultante do sincretismo entre a grande religião natural universal (Śivaismo) com a filosofia natural e sensual do existir, tantrismo que mostra o universo com  toda a sua sensualidade.  O sistema Trika ampara de igual modo a dou-trina dos três atributos ŚivaŚaktiNāra (DeusEnergiaIndividuos) que embora complexa é resumida em Śiva como um ser só. Criador criando a criatura e sendo ela. 

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Os Espíritos Ministradores do Universo Local


(418.1) 38:0.1 EXISTEM três ordens distintas de personalidades do Espírito Infinito. O impetuoso apóstolo tanto compreendeu isso que escreveu a respeito de Jesus: “aquele que foi para o céu e que está à mão direita de Deus; os anjos, autoridades e poderosos foram feitos súditos dele”. Os anjos são espíritos ministradores do tempo; as autoridades, as hostes mensageiras do espaço; e as poderosas, as altas personalidades do Espírito Infinito.