ParamāŚiva, ŚivaŚakti e Puruşaprakrti 



“Se a realidade suprema não se manifestasse em uma infinita variedade, permaneceria confinada dentro de sua sólida unidade, não seria nem o poder supremo nem a Consciência, senão algo parecido a um objeto” Tantraloka III, 100. Para a filosofia Trika, ParamaŚiva é o nome que referência a Consciência mais elevada, a que tem todos os poderes do universo e cinco qualidades especiais que são destacadas aqui. Noutras escolas filosóficas, religiosa ou científica, está Consciência ganha outros nomes e mesmo que mudem os conceitos, atributos e poderes, continua sendo a mesma Consciência. É bom ressaltar que a consciência de que falamos aqui, na realidade não tem nome (nama), nem forma (rūpa), portanto é anamarūpa. 

Quando a batizamos, somente queremos permitir um diálogo para se perceber o que estamos falando Dela. Se não nomeássemos, não saberíamos de quem falamos realmente. Assim, como pode ser ParamaŚiva, também pode ser Deus, Jeová, Allá, Indra, Śiva, Brahman e os vários outros nomes dados por cada cultura em seu aspecto metafísico. Este assunto merece toda nossa atenção, pois quando nos escapa um pormenor ficamos atraídos por nossas concepções errôneas, atrapalhando a clareza desta idéia. Recorde que particularmente nesta alusão, tratamos a consciência como princípio um, impar, sem igual, sem causa, perfeito, imperecedor, imutável, consciente de Si mesmo. Presente em todas as coisas e seres e conhecedor do todo existente. 

Quando acima escrevo Śivaśakti é para referenciar os dois pólos da mesma unidade, pois mesmo a Consciência sendo conhecedora da Energia, está energia jamais será conhecedora da consciência. Ambos são um e permaneceram sempre juntos, até que exista o teatro de māyā, ao qual chamamos universo. Podemos dizer que ParamaŚiva se transforma neste par complementar nas primeiras etapas da criação e, todavia, ambos têm perfeita consciência de sua natureza, quer dizer que, permanecem confinados em sua própria existência não permitindo que a mistura os mude de identidade e nível. Ao sair do espaço puro, ParamaŚiva ganha mais dois nomes, PuruşaPrakrti, onde perde a qualidade de permanecer impune a interferência do outro. 

Tanto o Puruşa assume o nível da Prakrtiti como ao reverso e por isso o ser humano se sente confuso em sua individualidade. O papel do Svātantrya Yoga é proporcionar uma não diferença entre os dois, mas permitindo que cada um volte a sua condição pura, em que o corpo não atrapalha a aparição da consciência e nem a consciência se identifica com o corpo. Quando conseguimos isso, o teatro mensurável deixa de ser irreal e passara a ser real segundo a visibilidade da consciência onde as coisas não são limitadas e nem se mantém reduzidas a sua forma, pois tem seu verdadeiro sentido de existência. 

Śiva e Śakti não estão separados, assim como Puruşa e Prakrti e é exatamente por isso que escrevemos sem o Y a meio para não representar dois seres opostos. Assim sugerimos e enfatizamos para que você permitá-se, caso não haja alcançado, a permissão para pensar em um ser criador capaz de estar neste momento entronado em sua própria realidade como indivíduo. Permitá-se, por um lapso de segundo ser o criador do universo, pois só assim entenderá a realidade deste estudo. Com quanto não te sintas seguro para avançar, passa a outro tópico deixando este para depois. A mesma dificuldade que tem o corpo de assimilar uma posição física, tem tua mente de trocar de idéia. 

As idéias fixas atrapalham a visibilidade de poder olhar a mesma coisa com outra visão. Na verdade, não são as coisas que são diferentes, senão as idéias conceituais que inventas para elas. Permitir-se avançar é estar apto a se compreender sem rotular-se. Se parares, estarás preso por teus próprios conceitos.

As cinco qualidades ou poderes do criador


1.	Cit - o poder de mostrar-se a si mesmo e ao ser individual. Como somente Śiva tem este poder, a matéria constituinte de seus corpos, ou seja, física e psíquica, jamais poderá se vê a si mesma, ficando confinada a ser observada pelo Veedor. 

2.	Ānanda - a capacidade de revelar verdades absolutas e incontestáveis. Já temos notado que em muitas discussões, há sempre um determinado modo de pensar que faz calar aos demais. Estas verdades, quase sempre são as verdades da Consciência universal. Ela quando "fala" em nós, nem mesmo nossa mente pode encontrar saída para comprová-la.

3.	Iccā - o poder de vontade que serve para induzir o conhecimento e as atividades da vida. Intrinsecamente em todos nós por menor que seja, há sempre uma vontade latente que mesmo sem querer fazer a vida mover-se o faremos. Está vontade provém do Puruşa que é Śiva e em sua forma profunda ParamaŚiva. Esta é a primeira razão de não aceitar a inatividade da consciência, pois sem sua participação nosso corpo físico-psíquico não reacionário. Iccā corresponde ao tattvasadakya onde Śiva permanece em sua forma pura mesmo convivendo com a Śakti. É o primeiro ponto para a manifestação do que sentimos. Tente conceber-se sem vontade, para sentir que este poder não é simplesmente a vontade do indivíduo. Faça ainda, uma comparação entre sua vontade e a de outra pessoa que você adora muitíssimo, exatamente por sua capacidade de vontade. Por último, faça uma soma de todas as vontades dos seres vivos deste universo e poderás ter uma pequena noção do que é a Iccā de Śiva, latente em nós. 

A conclusão, dizemos que é uma só vontade movendo bilhões de seres.

4.	Jñāna - o poder de conhecer tudo e a si mesmo. Somente pertence à ParamaŚiva, pois é o único veedor do universo. Pouca gente concebe está idéia porque se olha através das infinitas formas humanas e dos demais seres. Claro que pensamos que há em cada ser uma consciência distinta, pois todos pensam e sentem diferentemente e por vezes a mesma coisa. A consciência, por está ótica, fica muito difícil de perceber porque nos três estados mentais ordinários (vigília, sono e sono profundo), o homem não percebe a possibilidade de um quarto estado chamado turiya, onde Śiva permanece liberado, apto para conhecer tudo. 

Nesse estado, a Consciência é uma só e fecunda a todos os seres. A mente é discursiva, ademais trás armazenada uma série de experiências vividas antes nos vários renascimentos, assim acabamos por não ter espaço para vislumbrar está Consciência que permanece ativa em nós, mas também identificada com nossas neuroses. Somente durante o manifesto do estado turiya é que Śiva pode manifestar seu conhecimento puro e ilimitado e isso se dá constantemente quando dormimos profundamente. Para tanto há que obter em primeira mão a prudência e conjuntamente com as técnicas do Yoga, aproximar-se ao máximo desta realidade, podendo permitir-se como Śiva em sua expressão pura e indivisa. 

Assim, os três upāya ou intensidades da prática, serviram para preparar o terreno para que Śiva aporte sua aparição. Como sabe, a prudência depende exclusivamente da psique e, portanto é compreensível o fato de que o sādhanā  seja somente outra forma de poder proporcionar este contato. O que é conhecido, jamais poderá revelar o conhecedor. Por mais que nos aproximemos, terá que ser Śiva, com seu poder cit, manifestar sua consciência. Em conclusão dizemos que jñāna e os demais poderes, somente pertence a um ser individual, quando ele está identificado com Śiva em seu estado liberado. Até lá, teremos simples e por vezes opacas conclusões cognitivas desta realidade. Nada mal para começar! 

5. Kriyā - o poder de realizar ou adotar qualquer forma. “Se a realidade última fosse somente prakāśa (consciência) e não também vimarśa (energia manifestada), seria totalmente impotente e inerte”. Esta é a razão que nos leva a compreender que Śiva precisava ganhar sentido e para tanto teve que projetá-se para fora saindo de seu aspecto virtual. Kriyā é a força que transpõe o limite mental ou virtual e que permite que a virtualidade de um seja percebida mentalmente pelos demais. É por assim dizer, a força que permite o mundo virtual ganhar sentido de conjunto. O permitir mostrar-se, somente pertence a Śiva e o homem quando realiza algo está submetido à vontade e ao conhecimento de sua Consciência profunda. 

Claro que ele pensa e sente que sua obra de arte (qualquer realização) foi um mero produto mental-físico instintivo, ou seja, que partiu de uma idealização e finalmente com sua destreza artística o colocou no plano perceptível. Talvez, o que nós não percebemos é que as realizações em seu aspecto inculto, não são postos em andamento por Śiva, até porque seria impróprio, pois lhe daríamos um aspecto material e deixaria de ser a Consciência vedora e passaria a ser o visível. É dizer, que Śiva não tem mãos, mas nossas mãos sem a vontade Dele (intrínseca em nós) não conseguem fazer nada muito menos conhecer e realizar seja o que seja. 

Kriyā é a realidade palpável para que todos possam experimentar ao mesmo tempo uma parte do poder da Consciência indivisível. O ar, tal como a Consciência é um no universo inteiro, mas entra no nariz de milhões de seres ao mesmo tempo. Como seriamos desprovidos do poder de realizar? O mundo seria simplesmente virtual. De que serve tantas especulações mentais se não podemos por em prática. Da mesma forma, Śiva ao projetár-se no universo dá forma ao seu conhecimento e passa a ter utilidade e potência. Ele percebeu que poderia assumir qualquer forma e realizar qualquer coisa. De igual modo, cada indivíduo tem este poder, podendo assumir a forma que queira quando estiver liberado de seus limites. 

Quando estou livre de minha forma atual, posso assumir a que quiser e não necessitarei está morto para tal, todavia, isso somente acontece quando dormimos e como estamos inconscientes pensamos ser impossível tal virtude, entende? Meu corpo, somente é limitado quanto estou confinado a ele, mas se me liberto (pelo samādhi), quem me pode impedir de ocupar outra forma? Em resumo temos que todos os poderes de Śiva estão em estado latente em nossa individualidade, mas para que se manifeste é necessário obter a liberdade proporcionada pelo Yoga.

Tem também a quíntupla essência que utiliza para criar o universo: 

Emissão, manutenção, reabsorção, ocultação e revelação.
Quintessencia.html
Saivismo.html

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Os Filhos Ascendentes de Deus

(443.9) 40:0.9 A história desses seres, desde os mortais inferiores de origem animal dos mundos evolucionários até os Ajustadores Personalizados do Pai Universal, apresenta uma narrativa gloriosa da dádiva irrestrita do amor divino e da condescendência da graça, em todos os tempos e em todos os universos da vasta criação das Deidades do Paraíso.

(443.10) 40:0.10 Essas apresentações começaram com uma descrição das Deidades, e, grupo a grupo, a narrativa desceu a escala universal dos seres vivos até alcançar a ordem mais baixa de vida dotada com o potencial de imortalidade; e agora eu, outrora um mortal originário de um mundo evolucionário do espaço, fui despachado de Sálvington para dar continuidade à elaboração da narrativa do propósito eterno dos Deuses, no que concerne às ordens ascendentes de filiação; mais particularmente no que se refere às criaturas mortais do tempo e do espaço.